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terça-feira, 1 de setembro de 2015

4 meses de maternidade: Ser mãe, ser mulher ou ser fêmea??

Desde a gravidez , melhor falando antes mesmo de engravidar, estar linda não era algo que eu me preocupasse. Não que eu fosse uma Gisele da vida, pois minha pele e meus cabelos sempre estavam o bagaço mas hora ou outra eu resolvia dar um trato. Eu tinha meus picos de vaidade!
Na gravidez, pelo menos até novembro eu ainda tinha esses picos mas depois a coisa mudou a ponto de se eu colocar um perfume já é mais que suficiente. Lara nasceu e cá estou eu - a mulher cacto. Não que tenha espinhos (talvez algumas poucas espinhas) mas não tem aquela beleza maravilhosa de outras plantas -tô ali no seco, no duro na vida da sobrevivência independente do clima.

Estou gostando disso? Não!! Sério mesmo, até penso: amanha vou começar com uma dieta da feiura -vou começar a usar produtos para pele (que por sinal tenho uns muito bons), vou fazer meu cabelo e bláblábla e como na velha desculpa da dieta "vou começar amanhã" o mesmo ocorre pra esse meu inicio de cuidados com a beleza e o amanhã continuará sendo amanhã.

Antigamente eu usava a desculpa de que precisava de produtos de qualidade para me cuidar melhor, hoje eu não tenho uma desculpa pra usar. Gastei dinheiro comprando as melhores marcas - mas não as top de linha pq aí eu não tenho grana - na esperança de fazer uma rotina do bem pra minha beleza.

O que venho percebendo é que eu sinceramente não me vejo mais tendo aquela mínima porcentagem de vaidade que um dia eu tive em mãos. Eu olho meus cabelos - os bichinhos parecem que olham pra mim gritando: SOCORRO, me dá água! Me hidrate!!!  Já vi palhas e bagaços de cana muito mais sedosos que meus cabelos e não, eu não estou exagerando. Fora que de 1 mês pra cá eles voltaram a liberar 1 peruca a cada escovação (dessa vez eu fico careca!).

E daí eu começo a me perguntar: Aonde eu me encaixo? No ser mãe? No ser mulher? Ou no ser fêmea??

O ser mãe é aquela pessoa do sexo feminino que renunciou o mundo em favor da prole - ela não liga se veste um moletom e não toma banho por 2 semanas - elasó quer saber se the babies estão impecáveis! Ela usar roupa suja??  Se não estiver cheirando a azedo, ela vai até se casar usando essa roupa. Ela vive pra prole.

O ser fêmea é aquela pessoa do sexo feminino que não liga muito se tem uma prole, negocio dela é estar sempre sensual - pra chamar parceiro (favor não levar essa designação pro lado érotico e vulgar da coisa), pra ser desejada. Ela vive para ela.

O ser mulher é aquela pessoa do sexo feminino que consegue ser fêmea e ser mãe ao mesmo tempo - apesar de ter um bebê o marido vai chegar em casa e vai encontrar um espetáculo de fêmea esperando por ele. Cheirosa, unhas e cabelos impecáveis...roupa nem se fala - tudo o que o marido pode dizer é: eu tive sorte na vida!!! Ela vive pra ela e pra prole.

Pois é, eu me encaixo no ser mãe. Eu esqueci do que é querer ser desejada. Na verdade eu não vejo mais graça nessa coisa de paquera e quando começo a imaginar que eu posso querer a voltar a querer ser desejada, eu me lembro que não tenho tempo pra isso. Não tenho tempo pra me cuidar - ficar linda, com pele macia e cheirosa e também não tenho tempo pra ter que me doar e adaptar ao outro - do jeito que meu humor anda, bem capaz de se eu arranjar um fazendeiro como paquera, ele ir me mandar dormir no estábulo rsrsrsrsrss.

Não sei quanto tempo esse meu luto da beleza vai durar. Sei que isso só depende única e exclusivamente de mim-eu que tenho que dizer pra meu eu interior, dizer não, dá uns tapas na cara pra que eu possa voltar a ter o mínimo de vaidade. Mas sinceramente sem um estímulo acho que as coisas vão demorar um pouco a acontecer, isso se voltar a acontecer.










terça-feira, 26 de maio de 2015

Mêsversário: O ser mãe!

Bom, sou mãe de primeira viagem e antes de Lara nascer eu fiz listas e mais listas com o que tem e o que não tem, o que terá e não terá, com o que pode e o que não pode.
A idéia era linda, tudo ia sair perfeito - era só seguir como está escrito e não terá erro. O problema é que na linha das idéias tudo funciona mas na linha de montagem nem sempre o calculo estará certo, ainda mais se for feito por qualquer pesoa que não seja o engenheiro mecanico e cá pra nós, nenhuma mãe é engenheira mecanica de seu destino - talvez até tenha algum conhecimento e consiga consertar um relógio de corda mas nunca ela conseguirá fabricar um. É, a maternidade é uma profissão muito difícil.

O disse me disse, o não me toque, o eu sou a super mulher e não preciso de ninguém...tudo isso fica no passado quando nos tornamos mães.

Antes de ser mãe minha cama nunca foi um convite pras pessoas se deitarem, pelo contrário, era o cartão postal do inferno da bagunça. Era tanta coisa que eu deixava em cima dela que se bobeasse até vida alienígena era capaz de achar escondida entre o monte de roupas e a montanha de comida. Eu tinha uma preguiça tão grande que já dormia com minhas guloseimas, afinal nunca irias aber a hora da fome e sendo sincera era a maneira que eu tinha pra não me sentir tão solitária. Praticamente todo o meu quarto estava em cima da cama e o que me sobrava era um espaço microscópico pra eupoder dormir e acredite, eu era muito feliz com essa vida.
Quando engravidei a situação melhorou um pouco. Ainda tinha bagunça mas nada comparada a antes. Comida não era mais minha companheira, não seria mas possível encontrar vida alienígena mas minhas roupas amontoadas e bolsas recheadas de trecos, ainda se faziam presentes.
Pouco antes de parir, minhas coisas pouco a pouco foram perdendo espaço e minhacama virou o deserto do Saara da bagunça. Era apenas eu,os travesseiros e o edredon.
Com a chegada de Lara a bagunça voltou, não aquela bagunça da Cintia solteira mas a bagunça da Cintia mãe. Agora são muitos travesseiros, lençois, cobertores, edredom, almofada de amamentação e um bebê fofo.

Na minha lista era: não vou deixar Lara na minha cama, ela vai dormir no berço. Ela malmente ficou no berço nesses 30 dias. Eu até tentei mas desisti do berço porque a cada 3 horas ela acorda pra mamar então ter que levantar da cama, ir até o berço, tirar ela, dar mama, ninar e por no berço pra ela dormir (isso se ela dormir logo, senão ia ter que levantar toda hora).Ela dorme comigo, no inicio dormia num espaço que fiz com ajuda da almofada de amamentação, delimitando o espaço dela e o meu (morria de medo de me mexer eacabar machucando ela, mas no dia que eu tava ultra mega cansada eu decidi dar o peito deitada mesmo e com ela no meu braço - pronto, ela adora porque pode mamar e dormir ao mesmo tempo e ela dorme muito fazendo de meu braço travesseiro....eu também durmo. Muitas mães podem até achar ruim mas sabe aquilo: cada mãe sabe o que é melhor pra seus filhos?? Pois!! Minha atitude pode até está errada, mas do que adianta ser tão rígida com nossas escolhas pré conhecimento? Resolvi relaxar.

Outra coisa que mudou - a arrumação das coisas dela. Infelizmente eu não tirei foto do antes e depois, mas o caso é que após 30 dias corridos eu mudei algumas coisas do lugar. As meias, luvinhas e gorrinhos (estes que nem são tantos) saíram de dentro das mini gavetinhas e caixinha no guarda-roupa para ir pra gaveta do trocador. Agora essa gaveta guarda os babadores, lencinhos de boca, bauzinho da saúde e as meias/luvas/gorrinhos. Antes não tinha as meias, luvas e gorrinhos. e ainda tava cheio e agora com essa nova adição parece que ficou mais arrumado e coube ainda com boa folga. O guarda roupa na parte dos vestidos e sapatos não mexi mas na parte superior sim(meu guarda-roupa tem 1 prateleira que divide cima e baixo), uma micro cômoda - porta treco que tinha e colocava as meias, eu tirei as 3 gavetinhas e coloquei do lado soltas. cada gaveta coloquei pra guardar determinada peça.   1 só pra calça e saia, 1 pros bodies e 1 pros macacões. Casaquinho e blusinha eu deixo no cabide. Vestidinho pro tamanho atual dela também tá no cabide. A mini comoda tá sem gavetinhas mas ficou bem melhor pra arrumação. A parte onde eram as gavetinhas está o porta presilhas de cabelo e a parte de cimatá o balde de tiaras dela. As faixas e chapéus foram parar na gaveta de roupas que ainda estão grandes para ela e a caixa da torre Eiffel que antes eu guardava as roupas limpas, agora servem apenas para colocar as próximas roupas novas que irão ser lavadas pra ela começar a usar.  Eu arrumei essas coisas antes dela nascere achava que a arrumação estava perfeita e eu não ia precisar mudar nada, mas com o tempo você percebe que precisa de praticidade e não beleza.

Falando em roupa eis outra coisa da lista que eu tinha ciência de que a gente perde logo mas não que perdia tão rápido. Para os 3 primeiros meses eu não comprei muita coisa e me resumi muito as cores amarela, bege, branca, verde e um pouco azul (porque eu tinha uma certa certeza de que ia ser menino), Não tive um gasto muito grande mas tive gasto. Acredito que foram uns 200 reais quase só pra roupas de 0 a 3 meses. A verdade é que já perdi os 2 únicos macacões de pé que comprei. Usei apenas 1 vez, logo que ela nasceu - primeira e segunda semana e quando eu lavei e vesti de novo só dava para encaixar os braços, colocar as pernas dava? Sim, mas elas teriam que ficar 100% do tempo dobradas. Preferi então retirar das roupas em uso e já acabei doando pra uma pessoa que vai ter bebê e não tem nada ainda, assim como um sapatinho de pano que eu comprei e antes mesmo de Lara nascer já achei pequeno demais.... mas acredito que pra bebê de até 2 semanas dá pra usar sem apertar a perninha.
Na minha idéia o bebê ia começar a perder depois que ele passasse na idade que a roupa serve. Tipo se a roupa diz 0-3m,quando ele fizesse 3m a roupa pararia de servir, mas eu estava enganada.

Lenço umedecido - Na minha idéia era - lenço umedecido pra trocas na rua e em casa apenas aguinha quente e algodãozinho. Comprei a garrafa termica e o pratinho de porcelana justamente pra isso. Quando Lara nasceu eu fui por água na garrafa e pra minha surpresa não consegui abrir a garrafa por baixo pra tirar o papel que tem nela e a minha idéia de algodão e água foi pelo ralo (sim, eu não sei abrir essas coisas pelo lado não prático.), logo a solução foi os lencinhos. Em 25 dias de uso gastei 216 lencinhos - uma média de 8 lencinhos por dia (gasto menos fralda por dia que lencinho).

Sei que ainda haverá coisas que sairão diferentes do que eu imaginava antes de Lara nascer.

Ser mãe é isso, é fazer mil listas e perceber que teoria nunca será prática e a nossa prática nunca poderá servir de teoria a alguém, talvez só dar uma idéia mas nunca o molde servirá por completo.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Medo

Foto tirada na madrugada do dia 09/03/2015

Bom, bateu medo de novo!
Medo do novo!
Por mais que eu sempre quisesse ser mãe, me achasse preparada por ser mulher - não, eu não estou preparada. Não estou preparada pra dor (mas não quero cesárea), não estou preparada pra ter em minhas mãos uma responsabilidade enorme, não estou preparada pra ser árvore e produzir alimento.

Mas agora o relógio virou uma bomba, não aquelas com contagem regressiva mas sim daquelas onde o pavio foi posto fogo.
Apesar de ter a data provável de parto - 23 ou 24 de abril - Lara pode nascer em qualquer momento.

Eu tô com medo - e não adianta - diferente do que eu achava, eu tenho medo sim do novo - o novo com responsabilidade.
Nunca tive medo de me jogar em certas coisas - emprego de dança (emprego não, bico) no exterior - viver de sonhos leves. Mas não tinha tanta responsabilidade pois se não desse certo eu tinha uma única certeza: voltaria para meu lar.
Mas agora é diferente - eu preciso ser a forte, a âncora - preciso ser a mulher de verdade.

Espero que depois que ela nascer esses medos sumam, outros medos irão surgir mas que eu consiga pensar que - EU CONSIGO!